terça-feira, 3 de maio de 2011

Um Outro Olhar de Uma Sala de Aula (02/04/2005)

Estas anotações abaixo foram feitas pelo ladrão de meu bloco de rascunhos, Tiago, o convencido. Eu ia descartá-las, mas acho que vocês deviam saber a visão dele dessa história. Aqui estão as anotações:

Aqui quem tá falando é o Tiago, eu li esse negócio e achei que você precisa saber o que EU acho dessa história toda: Primeiro, eu não sou nada disso que você falou... bom, talvez um pouco, mas EU sou popular e f**** diferente de você, seu nerd maluco. E tô sabendo que você tá pegando a Marcela, hein?! E hoje todo mundo vai ficar sabendo! HAHA! Se deu mal! E... agora vou falar do meu dia:

Cheguei na escola aqueles moleques chatos (que eu tenho que aturar todo dia pra eles fazerem o que eu mando), Mateus e os menininhos da quinta série. Ah, Rogério, esse "diário" me deu umas ideias tenebrosas... Você não perde por esperar! Fui logo no Marquinhos, que entende mais de PC, e perguntei pra ele como criava um Blog. Ele respondeu que era muito fácil: era só eu entrar em algum servidor de blog e criar um. Eu peguei meu celular e tirei fotos do ser esquisito que estava conversando com Marcela: Rogério. Pedi pro Marquinhos fazer umas montagens com as fotos e postar no meu mais novo Blog: Rogério + Marcela = Fim do Mundo. Tava sem criatividade, depois vejo um nome melhor. Ah Rogério, você vai se arrepender por ter me chamado dessas coisas nesse seu diário. Depois eu coloquei como Wallpaper em todos os PCS da sala de informática o link pro blog, e colei uns cartazes enormes por toda a escola. Nisso eu vi que o sino já tinha batido e entrei pra sala. Vamos pular isso. No recreio, o pessoal viu os cartazes, e logo tinha fila na sala de informática, pessoas acessando de celulares, Tablets, Netbooks... E eu senti uma sensação enorme de Missão Cumprida. Eu só vi a Marcela em prantos no chão da cantina, antes de alguém me acertar na cabeça e eu desmaiar. Hã, agora vou passar o bloco pro Rogério antes que ele me esfaqueie!

Bom, quando eu e Marcela saímos para o recreio, Marcela logo viu os cartazes e entrou em choque: ficou parada, com a boca aberta, sem dizer nada. Foi ficando pálida. Eu corri para seu lado:

-Calma, calma, eu vou resolver isso!

-Como? Já tá na internet! Não, não, DE NOVO NÃO!!!!!!!!!! POR QUÊ? EU SÓ QUERIA TER UMA VIDA NORMAL! P****! NÃÃÃÃO!

-Calma, você vai ver!

Eu me revoltei. O menino leu o bloco e decidiu fazer a mesma coisa! Acabar com a minha vida até passa, agora acabar com a vida dela, que já sofreu tanto? ISSO NUNCA! Minha paixão platônica por Marcela, nojo por Tiago, e a raiva que vinha se acumulando todos esses anos se juntaram dentro de mim. Eu, impulsivamente, ao avistar Tiago, peguei uma cadeira do refeitório e soquei na cabeça dele com todas as minhas forças. Quando o garoto caiu eu vi o que tinha feito. Mas não me importei. "É a minha chance de ser um herói pra Marcela e recuperar meu bloco!", pensei. Marcela veio até mim e disse:

-Nunca pensei que você seria capaz disso. Mas, e agora?

-Esse moleque vai aprender uma lição! - Eu disse.

Peguei emprestadas umas cordas no armário da educação física e amarrei Tiago. Ninguém ia ver, estava todo mundo olhando o site e rindo. Eu acordei Tiago e ele despertou, amarrado a uma cadeira. Eu já tinha planejado tudo: Ia dar uma de louco, pra pressioná-lo a entregar meu bloco. Peguei uma faquinha da cantina e guardei no bolso. Estava tudo deserto. Me aproximei de Tiago e tirei a faquinha do bolso. A luz bateu contra ela, e esta cintilou.

-Seu doido, o que você quer?

-MEU BLOCO! CADÊ?

-Aqui, no meu casaco.

Eu abri o casaco, que estava jogado no chão, e tirei o bloco de rascunhos. O moleque tinha escrito nele!

-Deixa eu terminar de escrever, por favor?

-Pelo bem da minha pesquisa.

O menino escreveu suas últimas anotações e me passou o bloco. Saiu correndo, e eu joguei a faca na parede próxima a ele, pra ele assustar. Olhei pra Marcela. Ela sorriu.

-Obrigada por tentar me ajudar, mas que bloco é esse?

-É...

O SINAL TOCOU.

Durante a aula, expliquei tudo à Marcela, e ela entendeu. Na saída, minha mãe já estava me esperando na porta do colégio, então eu saí direto. Só me resta saber se o boboca do Tiago vai falar alguma coisa pra diretora. Quando, ao me sentar no banco do meu carro, pensei nisso, me dei conta do que tinha feito, realmente. MEU DEUS, O QUE EU FIZ?

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Bom, espero que tenham gostado, está um pouco maior pra compensar a demora, mais dou minha palavra de que vou postar com mais frequência os relatos de Rogério. Aguardem a próxima! (Mais em breve do que vocês imaginam)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

1705: Uma turma com 10 alunos (01/04/2005)

Olá, meu nome é Rogério, e se você está lendo isto, eu provavelmente já estou na faculdade. Isto é um relato diário do que acontece em minha turma de 7ª série*. Meu plano é fazer este diário durar um mês, mas nunca se sabe o que pode acontecer. Então, comecemos:
Minha turma é razoavelmente pequena para uma turma de 7ª série*: são 10 alunos! Falarei deles ao decorrer do dia. Esta história começa no dia primeiro de abril, para muitos uma diversão, mas não para mim, André e Fábio (meus amigos). "Por quê?" Você se pergunta. Simplesmente porque as pegadinhas no colégio São Francisco não eram brincadeira de criança. Eu comecei o dia mal. Ao entrar na sala, Tiago (um menino exibido e totalmente convencido de que ele mandava no colégio), Disse que meus sapatos estavam desamarrados. Como os meus cadarços sempre desamarravam mesmo, eu me abaixei para amarrá-los. POR QUE EU FIZ AQUILO? Imediatamente, Mateus, um dos "discípulos" de Tiago me acertou nas costas com um pedaço de madeira. Eu caí no chão.
"Primeiro de Abril, Otário!" Disse Tiago, rindo.
Mateus riu também, mas Tiago fez uma cara feia e parou. Eles saíram e me deixaram lá, caído no chão. Então, uns minutos (que pareceram uma eternidade) mais tarde chegou Marcela. Ao me ver caído no chão, foi correndo me ajudar a levantar. Me sentou na cadeira e me olhou. Eu estava vermelho igual a um pimentão. Por que sempre Marcela me achava nas situações mais constrangedoras? Marcela era um anjo. Loira dos olhos azuis, além disso aplicada aos estudos e correta. O único problema era que não dava liberdade pra ninguém conversar com ela. NÃO TINHA AMIGOS, mas por escolha própria. Então, puxando-me de volta ao mundo real, como que por um milagre, ela falou:
-Você está bem?
Eu me espantei, mas fingi naturalidade e respondi:
-Sim, claro. Foi só mais uma pegadinha de primeiro de abril.
-Eles não perdoam ninguém mesmo! São muito... MEU DEUS! SEU NARIZ ESTÁ SANGRANDO!
-Não é nada, quando eu bati a cara no chão ele deve ter se machucado. Eu estou acostumado.
Tirei um lenço da mochila (eu já andava prevenido) e limpei o nariz. Marcela falou novamente:
-Olha, sei que você deve estar se perguntando porque não tenho amigos. É porque...
O sino tocou. entraram então na sala Tiago, Mateus, André, Fábio, e as meninas "populares", se é que isso ainda é dito, Tatiana, Paula, Geovana e Fernanda. Elas entraram cochichando e sentaram-se uma atrás da outra. Então entrou o professor e a aula começou. Não aconteceu nada de interessante, então vamos pular para o intervalo.
O sino tocou novamente e todos saíram correndo pra cantina. Depois de comprarmos os lanches, Marcela veio falar comigo.
-Vamos sentar com meus amigos - eu disse.
-Não, não. Quero falar só com você.
-Tudo bem.
E em meio a pegadinhas, nós nos sentamos em uma mesa separada.
-Como eu ia dizendo, eu não tenho amigos porque em outra escola eu sofri cyberbullying. Eu era gordinha, sabe? E era xingada por isso, mas tinha amigos. Um dia, fui a uma festa de uma amiga. Então dançamos, tiramos fotos, nos divertimos. Eu amei. Mas no dia seguinte, havia cartazes pela escola toda em que estava escrito: "VEJA MARCELA, A BALOFA DO COLÉGIO NA WEB." E um site. Eu não entendi direito, mas ao chegar em casa e entrar no site me apavorei. Eram minhas fotos da festa com legendas me xingando! Minha mãe me tirou na escola, e eu fiz uma dieta. E eu fiquei três meses fora da escola. NO ano seguinte, vim pra cá. Mas hoje decidi que não podia ser mais assim o resto da minha vida. Decidi dar um basta nisso, sabe?
-Entendo você, também sofro bullying, você sabe.
-Mas...
O sino tocou e todos entramos. Vamos pular de novo para a hora da saída.
Saímos todos apressados e eu vim correndo escrever sobre o dia de hoje no meu bloco de rascunhos para a história final, esta que você lê agora. Então, apareceu Tiago.
-E aí nerd? O que você tá escrevendo? Deixa eu ver!
Ele tomou o bloco da minha mão e começou a ler. Eu ia tomar o bloco de volta, mas o carro da minha mãe apareceu na porta do colégio, e ela não podia saber que esse menino me atentava, de jeito nenhum, senão eu estava morto. Eu entrei no carro e fui embora da escola, planejando como recuperaria minhas preciosas anotações e deixaria aquele bobão de boca fechada.

*Em 2005 ainda não havia a nova divisão de períodos escolares.
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Próxima postagem: Provavelmente amanhã, se o tempo me permitir. Desculpem o atraso de dois dias!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Em Breve: Conheça a turma 1705



Em Breve você verá neste Blog muitas histórias: intrigas, amizades, paixões, enfim, tudo que acontece numa sala de aula. Aguardem...